Um pouco da Constelação Sistêmica e a minha história

Atualizado: Abr 30

Depois de ter passado por diversos trabalhos terapêuticos revisitando questões relacionada aos meus pais pensei: o que mais precisaria me debruçar para descobrir mais sobre mim.

Fiz diversos tipos de terapia e sou grata a todos estes caminhos que me ajudaram a compreensão atual. Nestes outros percursos percebi de forma racional como aspectos os quais criticava nos meus pais, sou parecida com eles.

Alguns erros (que eu julgava erros) que os meus pais cometeram, ainda que em uma outra dinâmica foram repetidos por mim, assim como por outros do meu sistema familiar.

Essas dinâmicas me levam a ir cada vez mais fundo.

O reencontro com a Ciência Hellinger veio um pouco antes da chegada do meu filho: após passar por um processo de Constelação Sistêmica pude perceber a posição arrogante que me colocava diante o meu sistema familiar.

Minha mãe diagnosticada com Esclerose Lateral Amiotrófica (2004) fez com que o meu sistema olhasse para a doença dela. A família se desorganizou, passamos pelo luto dela em vida (pois é uma doença avassaladora) e sua situação de saúde requeria muitos cuidados.

Foram nove anos com muitas idas e vindas a hospitais, com uma equipe de home care (duas técnicas em enfermagem, médico e exames feitos em casa), compras de materiais específicos (aluguel de cama hospitalar, equipos, alimentação enteral, descartáveis etc.).

Neste período parecíamos e perecíamos à deriva. A doença adoecia de formas diferentes a toda família.

Diante deste cenário, eu passava por outros contextos: divórcio, ascensão profissional, e uma série de cuidados que precisavam ser gerenciados por alguém.

O tempo foi passando e eu fui tomando à frente destas responsabilidades, cada vez mais e mais e mais até adoecer em 2011: comecei a sentir dores fortíssimas na coluna e descobri que estava com algumas vértebras herniadas que fizeram com que eu me afastasse do trabalho.

Antes disso, em 2009 casei-me novamente com 35 anos, o relógio biológico batendo e a vontade de formar uma família (não tive filhos em meu casamento anterior). E ficamos tentando por quase um ano. Foi quando este problema de coluna me ajudou a tirar férias forçadas.

Resolvemos então por indicação de uma pessoa a ir para um spa holístico e lá tive a oportunidade de conhecer pessoas que me falaram sobre constelações sistêmicas.

Voltando desta viagem, marquei um horário para passar pelo processo de constelação, e quando me perguntaram o tema, eu disse: quero constelar a minha hérnia de disco. Porque ela não me deixava dormir, não me deixava trabalhar.

No meu processo emergiu que eu não conseguia me colocar no lugar de filha. Eu havia me colocado no lugar da matriarca. Eu não me sentia pequena, sentia-me grande e não queria sair daquele lugar. Mostrou o quanto havia de arrogância e desconfiança em mim. Emergiu a dor pela a situação da minha mãe e lá eu disse tudo que estava entalado na minha garganta, quando então pude me colocar na posição de pequena perante minha mãe e meu pai e meus irmãos (pois sou a oitava filha entre nascidos e abortados espontaneamente).

Após este processo, passado um mês, eu pude ter uma conversa séria com o meu pai, reivindicando o meu lugar de filha caçula. Após um mês dessa conversa, eu fiquei grávida, numa gestação de risco e meus irmãos com o meu pai então reorganizaram os cuidados com a minha mãe e eu num primeiro momento “tive de confiar” (aceitei confiar), depois desisti de controlar e simplesmente passei a confiar (concordando com a situação), passando a olhar para mim e para a minha gestação. E o nosso filho está com nove anos agora.

O que eu aprendi com tudo isso? Descobri que muitas vezes nos colocamos como agressores de nós mesmos quando assumimos papéis que não nos cabem. As compensações enquanto sintomas (doenças etc.) manifestam para apenas para serem solucionadas e reestabelecer a ordem. Como eu estava excluindo a minha família nas tomadas de decisões com relação a minha mãe, colocando-me como a matriarca, um lugar que não me pertencia, desequilibrando o meu sistema.

E aí vivemos felizes para sempre? Sem desafios? Vivendo um estado de iluminação? Claro que não. A vida é um descascar de cebola, choramos muito até alcançarmos o núcleo.



#contelaçãosistêmica #família #Distúrbiodesono

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